quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

U2 "New Year's Day"

A propósito...

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

E porque é Natal...



Já agora...um bom natal tambem para ti Tom...

domingo, 21 de dezembro de 2008

Nick Cave "W moich remionach"






















Em 1999 Nick Cave deu um espectáculo em Cracóvia com músicos polacos. A primeira parte foi inteiramente composta por reinterpretações de canções de Cave em polaco e ao mesmo tempo encenadas (um pouco como fizeram os Mão Morta em "Muller no Hotel..."), podendo destacar já as curiosas versões para "Henry Lee" e "The Curse of Millhaven, na segunda Cave durante 50 m dá-nos o prazer de escutar ao piano algumas das suas melhores canções. Hoje finalmente, consegui pôr as mãos neste DVD (com uma qualidade de imagem excelente) raro. (thanks Z.)

domingo, 16 de novembro de 2008

Beach House Heart of Chambers

Tindersticks The Flicker of a Little Girl

Tindersticks de volta ao Coliseu de Lisboa

















Como já era esperado Stuart Staples e os seus Tindersticks regressam a Lisboa e ao Coliseu em Fevereiro do próximo ano (dia 13). As saudades já eram algumas, uma vez que, o último concerto realizado na capital aconteceu em Abril de 2004. Esta é uma daquelas bandas que desde o primeiro e mítico concerto na Aula Magna organizado pela saudosa XFM em 1995 criou um autêntico culto em Portugal. Um dia antes a 12 tocam nos Açores no Teatro Micaelense e ainda durante o mês de Fevereiro devem tocar na Invicta mais precisamente na Casa da Música. Bilhetes já à venda.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

La Belle Noiseuse de Jacques Rivette






















A única vez que vi este belo filme do Rivette à venda foi na FNAC do Colombo e custava se bem me lembro 40 e poucos euros (DVD duplo importado), hoje comprei-o a 12 euros na Fnac do Chiado, podendo assim dizer-se que foi realmente uma óptima compra. Ahh...já agora o filme original estreou no cinema King em início dos 90 e tem 4 horas de duração, é acerca dos dilemas de um pintor e da busca constante deste em torno da sua obra prima.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Peter Murphy " All Night Long"

O Homem Vampiro está de volta. No próximo sábado 1 de Novembro, Peter Murphy volta ao Coliseu de Lisboa onde na década de 90 assinou concertos memoráveis. Que seja noite de lua cheia.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

"As Asas do Desejo" em DVD

Foi finalmente editada a majestosa e divinal obra prima do alemão Wim Wenders intitulada "As Asas do Desejo"(já tinha surgido nos DVDs do Público alguns anos atrás) e encontra-se disponível apenas nas FNAC's. Cassiel, Damiel e outros anjos observam os humanos na soturna Berlim dos anos 80 antes da queda do muro...um autêntico poema visual! Quanto a esta edição é mesmo caso para dizer que "Mais vale tarde do que nunca..."

terça-feira, 30 de setembro de 2008

Karen Dalton In My Own Time

















Karon Dalton é um nome perfeitamente desconhecido para a maioria dos mortais, mas os mais melómanos e amantes da "folk-scene" norte americana de finais dos anos 60 decerto que já ouviram falar nela. Publicou dois discos de originais apenas, "It's so hard to tell who's going to love you the best" e o fabuloso "In my own time". Dalton que andou também com Bob Dylan a fazer o circuito de bares na Village em NY nos 70's, foi aos poucos e poucos ficando esquecida, morrendo quase incógnita como "homeless" nas ruas da Big Apple em 1993 com 55 anos. Deixou estas duas pérolas e a admiração em nomes como Devendra Banhart ou Nick Cave, "When I First Came to Town" do australiano, foi inclusive inspirado em "Katie Cruel" de Dalton. Através da editora canadiana Rhino Records chega-nos agora uma reediçao lindissíma de luxo deste "In My Own Time". Um disco obrigatório em qualquer discoteca privada.

U2 "Live at Red Rocks"

Vinte cinco anos depois da sua realização é tornado disponivel o mitico concerto que encantou uma geração e que serviu a tanta gente para moldar o seu gosto musical. Quem anda nos trintas lembra-se certamente do quanto significava "Sunday Bloody Sunday" e aquele LP gravado ao vivo com uma capa vermelha cor de sangue... a partir de hoje disponivel em DVD o concerto inteiro dos U2 "Under A Blood Red Sky - Live at Red Rocks 1983"...quando estes eram deliciosamente "naives" e mereciam muito, mas muito a pena serem ouvidos...mágico!

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

American Music Club "Gratitude Walks"

Há bandas que por muitos bons discos que façam nunca irão conseguir obter o devido reconhecimento por parte do público. Há bandas que não são para toda a gente escutar, há bandas que não são para toda a gente conhecer. Senhoras e senhores de San Francisco California para o Barreiro na próxima sexta feira, e inseridos no Festival "Outras Músicas", os geniais American Music Club.

sábado, 16 de agosto de 2008

Tom Waits "Le Grand Rex 24.07.08"

Tom Waits em Paris, os meus amigos J.Pacheco e Lavínia estiveram lá e dizem que foi de outra dimensão....eu acredito!

Filmes para ver antes de morrer... II

"Morte em Veneza" de Visconti

Mojave 3 "Love Songs On The Radio"

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

American Music Club



"All The Lost Souls..."

American Music Club no Barreiro















Começa a temporada de Outono de concertos e começa muito bem. Os norte-americanos American Music Club são umas das visitas do Festival Boom a realizar no próximo mês de Setembro na cidade do Barreiro, dia 19 desse mês Mark Eitzel e amigos vão nos dar a honra de os receber para um concerto que promete e muito. O album novo "The Golden Age serve de mote a esta digressão europeia. Mark Eitzel é considerado um dos maiores songwriters esquecidos da América (juntamente com Cris Eckman dos The Walkabouts) e nas vezes que actuou em Portugal (várias a solo e apenas uma com os seus AMC) provou isso mesmo. Excelentes concertos e excelentes histórias contadas pelo meio ao jeito de um "Tom Waits dos pobres" Um dia antes e também no Auditório Municipal Augusto Cabrita inserido no Festival Boom toca Vic Chestnutt. IMPERDÍVEL!!

http://www.myspace.com/americanmusicclub

domingo, 10 de agosto de 2008

Fimes para ver antes de morrer... I



"Um Coração no Inverno" de Claude Sautet

R.E.M. Fall On Me



1 Outubro em Madrid.

Tindersticks no Outono ?



Já cá voltavam...no Outono de preferência...Staples despediu-se do Sudoeste na passada sexta com um "see you soon". A vêr vamos...

domingo, 20 de julho de 2008

Leonard Cohen, Lisboa 19.07.08
















Foto: Magdalena Stokowska

"Dance me to your beauty with a burning violin. Dance me through the panic till I’m gathered safely in. Lift me like an olive branch and be my homeward dove. Dance me to the end of love.”


Eram exactamente 21.00 h (a hora marcada para o início do espectáculo) quando uma das maiores lendas vivas da cultura pop contemporânea subiu no passado sábado dia 19 ao palco montado à beira Tejo junto a Algês.

Leonard Cohen apresentou-se em Lisboa, vinte anos depois do concerto do Coliseu dos Recreios (vinte e três passados do lendário concerto de estreia em Cascais), pronto a dilacerar o coração e a alma das mais de 9.000 pessoas que ali rumaram para o ver e ouvir.




Foto: Magdalena Stokowska

Vestido elegantemente com um fato clássico cinzento às riscas Armani e com um “fedora” na cabeça tal como um “Old Bogart”, Cohen soltou um enorme sorriso em forma de agradecimento pela estrondosa (primeira) ovação que acabava de receber e iniciou sem mácula e aviso o já clássico “Dance me to the end of love”, Algês veio abaixo, caiu literalmente tudo. Com toda a sua classe e com a lábia que só um “sacana muito batido” sabe ajoelhou-se e começou a soltar vagarosamente os primeiros versos de uma canção que só encontra talvez rival em “Ne me quitte pas” de Jacques Brel, aquelas palavras ditas em jeito de declamação com aquela (ainda) voz de trovão mas agora também mais aveludada revelaram-se letais, começando logo a causar estragos, olhando à volta era impressionante observar como a maioria das pessoas não conseguia conter as lágrimas que teimavam em correr-lhes pelos rostos abaixo, “Dance me to the end of love” tornou-se aos poucos insuportável de se escutar, mas ao mesmo tempo causava um prazer masoquista tremendo que não era possível de todo explicar, raparigas de vinte e poucos anos escutavam-na com a mão direita no coração, a devoção era completa e comovente, o total silêncio reinava em Algês, terminada esta Cohen saltou logo para “The Future”, canção título do último disco que promoveu em digressão no já distante ano de 1993 (Cohen afastou-se dos palcos nos últimos catorze anos dedicando-se apenas à meditação, poesia e escrita), aligeirando-a agora com uma subtil troca do verso original “give me crack or anal sex” pelo mais politicamente correcto “give me crack or careless sex”, a partir de então foi o desfilar de verdadeiras pérolas intemporais, “Bird on the wire” teve direito a nova ovação, “Who by fire” começou com um belíssimo solo de archilaud por Javier Mas e “Hey, that’s no way to say goodbye” foi a confirmação de que tal como os diamantes certas canções são eternas. Mais canções se seguiram com particular destaque para os álbuns da década de 80 “I’m your man” 90 “The Future” como “Ain’t no cure for love”, “Everybody knows” ou “Anthem” devidamente intercaladas pelos já mencionados clássicos da década de 60, canções estas mais que perfeitas e que só alguém como Leonard Cohen as podia ter escrito. Com o final da primeira parte e depois de um intervalo de 20 m o segundo "set" iniciou-se com Cohen nas teclas e “Tower of Song” a tal da “golden voice” seguida logo depois de mais uma tremenda ovação quando se escutou os primeiros acordes de “Suzanne”, aqui Cohen emocionou-se (sim, porque o homem também se emocionou) e emocionou também as perto de 10000 almas que estavam a assistir a um momento que ficará certamente proscrito na memória de todos. “Gypsy’s wife” foi o tema seguinte, Cohen visitava assim o álbum “Recent Songs” de 1979, aqui com novo destaque para o músico catalão Javier Mas e para a sua guitarra bandurria, entretanto ia aproveitando de igual modo para apresentar os músicos sempre que estes faziam um solo com o seu instrumento dividindo assim o protagonismo da noite (alguns deste músicos já o acompanham em digressão desde finais da década de 70) demonstrando uma humildade enorme, ora afastando-se da boca de palco sempre que os elementos femininos do coro cantavam, ora cantando ele baixinho “as deixas” que Sarah Robinson e as Webb Sisters iam interpretando alto. O concerto estava a ser sublime, cada canção era um autêntico clássico, "I'm your man", "Take This Waltz", etc...todas estas canções enormes eram cantadas de uma forma absolutamente irrepreensível, Cohen parecia não dar tréguas nem acusar os 73 anos de idade, completamente rejuvenescido (o álcool já deixou de ser problema à muito e as drogas ficaram esquecidas na década de 60), ia sorrindo como uma criança e agradecia repetidamente com o seu já tão característico “thank you friends”, as duas horas de concerto estavam a passar num instante, nos encores ainda houve tempo para, “So Long Marianne”, “First We Take Manhattan”, e aqui Algês voltou a tremer quando Cohen dizia com a sua voz de trovão “Than...We Take Berlim”, uma “Sisters of Mercy” de novo com Cohen na guitarra, depois revisitando novamente o álbum de 1984 “Various Positions” de onde já tinha sido igualmente interpretado “Hallelujah” (com outra estrondosa ovação), Cohen convidou as meninas Webb Sisters para interpretarem “If It Be Your Will” que elas fizeram de uma forma angelical acompanhadas por guitarra clássica e arpa. No último encore houve ainda alguém no público a pedir “Famous Blue Raincoat” (e com esta seria a perfeição), mas Cohen limitou-se a sorrir mais uma vez e iniciou “I Tried To Leave You”, era o sinal que a despedida estava próxima, na última canção chamou então ao palco toda a sua equipa de apoio, roadies, assistentes etc...(seriam perto de trinta pessoas em palco) e despediu-se com um sentido “Wither You Goest”, as últimas palavras “thank you so much friends” foram ditas, Cohen e restantes músicos agradeceram os aplausos e retiraram-se do palco para não mais voltar.










Foto: Magdalena Stokowska

No fim, olhando a cara das pessoas (muitas novamente em lágrimas) sentia-se que se tinha assistido a algo muito especial e grande, a alegria aos poucos dava lugar a alguma tristeza e nostalgia...Leonard Cohen tinha partido para não mais voltar...e Lisboa não vai esquecer este concerto por muitos e muitos anos....

Alinhamento:

Set 1

Dance Me to The End Of Love
The Future
Ain’t No Cure For Love
Bird On The Wire
Everybody Knows
In My Secret Life
Who By Fire
Hey That’s No Way To Say Goodbye
Anthem

Set 2

Tower Of Song
Suzanne
Gypsy’s Wife
Boogie Street
Hallelujah
Democracy
I’m Your Man
Take This Waltz

Encores:

So Long, Marianne
First We Take
Manhattan
Sisters Of Mercy
If It Be Your Will (The Webb Sisters)
Closing Time

I Tried To Leave you
Wither You Goest





















Foto: Magdalena Stokowska

Fotografias gentilmente cedidas por Magdalena Stokowska. (Thanks!)

sábado, 19 de julho de 2008

Picnic in the Park

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Leonard Cohen - O homem não pára...


















Leonard Cohen Europe Fall Tour 2008

21-Sep-08 Bucharest, Romania Arcul De Trumpf
Note: On Sale July 17th.
24-Sep-08 Vienna, Austria Koncerthaus
Note: On Sale July 17th.
27-Sep-08 Prague, Czech Republic HC Sparta
Note: On Sale Date TBC.
29-Sep-08 Wroclaw, Poland Hala Orbita
Note: On Sale Date TBC.
01-Oct-08 Warsaw, Poland Torwar
Note: On Sale Date TBC.
04-Oct-08 Berlin, Germany O2
Note: On Sale NOW.
07-Oct-08 Munich, Germany Olmpiahalle
Note: On Sale NOW.
10-Oct-08 Helsinki, Finland Ice Hall
Note: On Sale Date TBC.
12-Oct-08 Gothenberg, Sweden Falconer
Note: On Sale Date TBC.
15-Oct-08 Stockholm, Sweden Globen
Note: On Sale Date TBC.
23-Oct-08 Milan, Italy Teatro Degli Arcimboldi
Note: On Sale Date TBC.
25-Oct-08 Zurich, Switzerland Hallenstadion
Note: On Sale Date TBC.
27-Oct-08 Geneva, Switzerland
Note: On Sale Date TBC.
29-Oct-08 Frankfurt, Germany Festhalle
Note: On Sale Date TBC.
31-Oct-08 Hamburg, Germany Colorline Arena
Note: On Sale NOW.
02-Nov-08 Oberhausen, Germany Oberhausen Arena
Note: On Sale Date TBC.
03-Nov-08 Rotterdam, Netherlands Ahoy
Note: On Sale Date TBC.
05-Nov-08 Glasgow Clyde
Note: On Sale July 18th.
08-Nov-08 Cardiff, Wales International Arena
Note: On Sale July 18th.
11-Nov-08 Bournemouth, United Kingdom Bic
Note: On Sale July 18th.
13-Nov-08 London, United Kingdom O2 Arena
Note: On Sale July 18th.
22-Nov-08 Birmingham, UK NEC
Note: On Sale July 18th.
24-Nov-08 Paris, France Olympia
Note: On Sale NOW.
25-Nov-08 Paris, France Olympia
Note: On Sale NOW.
26-Nov-08 Paris, France Olympia
Note: On Sale NOW.
28-Nov-08 Brighton, United Kingdom Brighton Centre
Note: On Sale July 18th.
01-Dec-08 Dublin, Ireland The Point
Note: On Sale Date TBC.

Mais datas serão adicionadas brevemente, esperam-se concertos para Madrid e ... quem sabe no Coliseu de Lisboa, esta digressão de Outono sofrerá mudanças no set...Cohen comecerá então a promover o novo disco a sair brevemente...

Leonard Cohen - Devoção total...





















Vinte anos depois Cohen regressa à cidade branca...

Neil Young "Cortez The Killer" Algês 12.07.2008

Não houve "Like a Hurricane", mas houve "Cortez The Killer", e muitas outras canções fabulosas desta lenda viva. Neil Young foi de uma simplicidade desarmante e deu em Algês um concerto FABULOSO que vai ficar por muitos anos na minha memória e na das pessoas que lá estiveram. No final juntamente com a sua banda de apoio abeirou-se da beira do palco e fez uma vénia ao público. Obrigado Neil! Rock'n'roll never dies!!!

sábado, 12 de julho de 2008

Neil Young "Like a Hurricane"

A poucas horas de finalmente ver ao vivo o grande Neil Young, as esperanças são poucas mas se esta for tocada logo à noite, vai ser o cêu em Algês...

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Albert Cosseri RIP














O escritor egípcio Albert Cosseri autor de "Mendigos e Altivos" ou "Mandriões no Vale Fértil" morreu aos 94 anos no passado dia 22 em Paris. Cosseri vivia num modesto hotel de Saint-Germain-de-Prés e levou uma vida totalmente despojada, nada possuía, nada tinha. Cosseri dedicou os últimos sessenta anos ao ócio e à preguiça, sentado em esplanadas contemplava os traseuntes nas boulevards de Paris, e escrevia um livro por década. Foi amigo de Albert Camus, Julliete Greco, Serge Gainsbourg e outros nomes da cultura francesa, umas das caractrísticas dos seus textos era a forma sarcástica como retratava o "seu Cairo". O velho vagabundo morreu.

domingo, 22 de junho de 2008

Brian Eno - By This River

Sigur Ros no Campo Pequeno em Novembro

















Em Novembro de 2005 estava a trabalhar por terras bárbaras do norte, como a cidadezinha onde estava era pacata de mais para o meu gosto e não se passava literalmente nada, resolvi na manhã de um sábado invernoso e de muita chuva ir passar o fim de semana ao Porto e ver estes islandeses ao vivo no Coliseu, achava-os um pouco entediantes em disco, mas aquilo que vi naquela noite foi um belissímo concerto que ainda hoje não me sai da memória, no final as pessoas estavam em transe e maravilhadas com todo aquele som glacial que tinham acabado de escutar. Como às vezes ainda tenho a mania de ficar lá para a frente nos concertos, recordo-me que durante a actuação sempre que fechava os olhos ficava com a sensação de que pequenos flocos de neve me batiam na cara...
Ahhh!! Pois! Isto para dizer que os Sigur Ros voltam a Portugal em Novembro (sim outra vez Novembro) e para já têm data marcada no Campo Pequeno dia 11...

sexta-feira, 20 de junho de 2008

João Bénard da Costa e a resposta a Isabel Pires de Lima

Para quem não sabe ou simplesmente não se apercebeu, surgiu recentemente uma petição on line a pedir para que fosse aberta na cidade do Porto uma extensão ou um pólo da Cinemateca Portuguesa, esta devidamente fundamentada e apoiada por estudantes universitários, intelectuais bem como pelo comum cidadão da Invicta, entretanto o jornal "O Público" publicou na semana passada um artigo da antiga Ministra da Cultura Isabel Pires de Lima referente ao assunto em que em traços muito gerais esta acusava a instituição da Barata Salgueiro de ter estagnado e que o seu director João Benard da Costa era o principal culpado da não descentralização da mesma fazendo com que obras relevantes da história do cinema não pudessem assim chegar a outras pessoas que vivam fora do centro urbano da grande Lisboa, referindo-se ainda à Cinemateca como a "Cinemateca de João Bérnard da Costa" ou "a sua Cinemateca", fica aqui a curiosa posição de JBC publicada esta semana no mesmo jornal.

As premências de uma antigamente ministra
18.06.2008, João Bénard da Costa

Em artigo neste mesmo jornal (PÚBLICO, 6 de Junho de 2008) a ex-ministra da Cultura, Dra. Isabel Pires de Lima, juntou a sua voz a uma petição do Circuito Universitário de Cineclubismo do Porto, afirmando ser premente (sublinhado meu) a criação de um pólo de programação da Cinemateca no Porto.

Fosse ela apenas deputada, nada de estranho. Afinal de contas, é deputada pelo círculo eleitoral do Porto e fica sempre bem a quem o é parecer que defende os interesses da cidade que a elegeu. Acontece que, se, hoje, ela é deputada não o foi durante quase três anos, ou seja entre Maio de 2005 e Janeiro de 2008. Durante esse período, foi ministra da Cultura. Se achava "premente" a criação de tal "pólo", teve tempo e mais do que tempo para o criar, no uso estrito das suas competências enquanto titular da pasta da Cultura. Vir agora juntar o nome ao dos peticionários, reclamando ao seu sucessor o que ela própria não fez, é, no mínimo, posição deveras singular e pouco abonatória da sua capacidade executiva. Quem não foi capaz de fazer o que achava "premente" dever ser feito não tem qualquer autoridade para abrir a boca que ficou calada enquanto devia e podia falar. Diz ela que, como ministra da Cultura, defendeu publicamente o pólo a norte. Mesmo que tenha sido verdade, a um ministro cabe mais do que defender ideias. Cabe executá-las ou mandar executá-las. Não fez nem uma coisa nem outra e agora queixa-se. Mal dela.
Muito pior, contudo, é vir desculpar-se comigo que, director da Cinemateca Portuguesa, dependia dela e estava lá ou para lhe cumprir as determinações ou, quando com elas não concordasse, para lhe pedir a demissão. Um general a desculpar-se com oficial sob seu comando é sempre general que não merece o posto que tem.
Recordando a minha "reconhecida dimensão intelectual", cumprimento que não lhe posso devolver, a antiga ministra da Cultura acusa-me de muitos males, entre eles o de ter contribuído para a "estagnação da Cinemateca", "sem que haja coragem para dizer com todas as letras que 'o rei vai nu'".
Parece-me que ela é a última pessoa a ter autoridade para comentar cobardias alheias. Ministra durante dois anos e oito meses, teve dois anos e oito meses não só para se escandalizar com a nudez do rei, como para lhe pôr cobro, em nome de elementar decência. Não o fez. Ou porque não teve coragem para o fazer, ou porque não teve coragem para se opor a quem lhe impediu a baixa inclinação do gesto. Assim, das duas uma: ou o texto da deputada é uma autocrítica, à boa maneira da escola que a formou e informou, ou é dentada na mão do dono. Nem uma nem outra são práticas que se recomendem.

Recorda ela que eu fui nomeado director da Cinemateca em 1991. Essas nomeações revestem-se da forma de comissões de serviço e duram três anos, renováveis. Nomeado pelo Dr. Pedro Santana Lopes, fui por ele reconduzido em 1994, ao tempo em que ele era secretário de estado da Cultura do governo Cavaco. Em 1997, o Dr. Manuel Maria Carrilho, ministro da Cultura do governo Guterres, reconduziu-me mais uma vez, o que voltou a acontecer em 2000 (José Sasportes, ministro de Guterres) e em 2003 (o Dr. Pedro Roseta, como ministro de Durão Barroso). Três nomeações de governos PSD e outras tantas de governos PS. Para um "autista", como ela me chama, e sendo sabido "que a Cinemateca é de há muito propriedade de JBC", tanta distracção ou tanta persistência dificilmente se entendem, face ao diagnóstico da Dra. Isabel Pires de Lima. Menos se entende que, em 2006, tenha sido ela a manter-me em funções, com declarações públicas de confiança e que, a 29 de Janeiro de 2008, o seu último acto oficial (ironia do destino) tenha sido renovar-me a comissão de serviço por mais três anos. Menos de cinco meses antes do artigo em que me acusa de secar "todos os recursos humanos competentes que porventura teve ou tem", numa frase a que o advérbio "porventura" retira qualquer sentido. Ou seja, se eu hoje estou no cargo que ocupo, foi porque a Dr.ª Isabel Pires de Lima nele me reconduziu. Arrepende-se agora? É tarde, é muito tarde. Porque eu sou e ela foi. Com quase nula probabilidade de o voltar a ser. O "cavalo do poder" já não pára à porta dela.
Sobre a minha posição relativamente à petição do Porto, - "causa ocasional" do verrinoso artigo - já neste mesmo jornal disse o que tinha a dizer. Nunca disse - ao contrário do que, mentindo, a ex-ministra me acusa - que a Cinemateca Portuguesa - Museu do Cinema não tem "nada, mas mesmo nada a ver com isso". Nunca disse - ao contrário do que, mentindo, a ex-ministra me acusa - que a Cinemateca não deve ter qualquer intervenção no assunto. Disse e volto a dizer que não se justifica a criação de uma segunda cinemateca, como a Dra. Isabel Pires de Lima, em contradição pegada, no final do seu artigo parece concordar, ao reconhecer - cito-a - "que o país não tem dimensão nem geográfica, nem por certo patrimonial para criar uma segunda cinemateca". Disse e volto a dizer que a abertura de um espaço expositivo no Porto, em que se exponham filmes com critérios museográficos próprios de uma Cinemateca é algo de radicalmente diferente da criação de um "pólo de programação" que mostrasse em reprise os filmes já exibidos em Lisboa.

Apoio inteiramente, como já disse e repito, a constituição de um núcleo de exposição permanente (exposição permanente de filmes, entenda-se) no Porto, devidamente formalizado e dotado de todas as infra-estruturas necessárias para o efeito, dirigido e coordenado por pessoas competentes, que, no Porto, não faltam, com programação completamente autónoma da de Lisboa, mas contando sempre com a colaboração activa da Cinemateca Portuguesa - Museu do Cinema, quer para a cedência de cópias, quer para abonar contactos necessários com cinematecas estrangeiras, nossas colegas na FIAF, quer para apoio documental e informativo. Limites: apenas os que decorrem da defesa do património cinematográfico que à Cinemateca Portuguesa - Museu do Cinema cabe salvaguardar, quer os que decorrem de condicionalismos legais e do respeito pelos legítimos direitos dos autores ou detentores das cópias depositadas no nosso departamento de Arquivo Nacional de Imagens em Movimento (ANIM).
É em base semelhante que a Filmoteca Española - sediada em Madrid - colabora com as cinematecas de Barcelona, Valência, etc, que a Cinémathèque Française - sediada em Paris - colabora com as cinematecas de Toulouse, Lyon, etc. ou que a Cineteca Nazionale - sediada em Roma - colabora com as de Bolonha, Turim, Milão, etc., para me limitar aos países latinos.
Entre a posição que voltei a sumariar - e me parece excelente base para negociações futuras - e as posições que a Dra. Isabel Pires de Lima me atribui, há uma enorme diferença. A diferença entre uma posição demagógica e irresponsável, para recuperar como deputada a péssima imagem com que ficou a ministra, e uma posição reflectida ao longo de vários anos e de muitas parcerias com instituições do Porto, algumas bem-sucedidas - como as que seguiram basicamente a orientação que preconizo - outras menos bem-sucedidas, quando a Cinemateca programou de Lisboa para o Porto.
Não posso terminar sem responder à grave acusação de "autismo", que me dirige a pretérita ministra da Cultura. Será autismo programar cinco sessões diárias (seis aos sábados) com uma média de 60.000 espectadores por ano? Será autismo gerir uma colecção de mais de 20.000 títulos diferentes (em 1980, quando entrei para a Cinemateca, eram cerca de 1400) arquivada num dos melhores centros de conservação do mundo, que a Dra. Isabel Pires de Lima, enquanto ministra, nunca se dignou visitar? Será autismo facultar a investigadores e a universitários o acesso a cerca de 500 filmes diferentes por ano, para fins de estudo e conhecimento da colecção? Será autismo a abertura, em 2007, de uma nova frente na Cinemateca, especificamente destinada a espectadores infantis ou jovens, em iniciativa apoiada pelo Ministério da Educação, e que a Dra. Isabel Pires de Lima paulatinamente ignorou, enviando à inauguração o seu chefe de gabinete e jamais se interessando por ela?
Quanto ao "armazém" (como ela lhe chama) para depósito do arquivo fílmico da RTP, que me acusa de não ter mandado executar, recordo que o processo de edificação do novo módulo dos cofres para esse arquivo esteve a jazer nas gavetas dela durante quase três anos. Três meses bastaram ao actual titular da pasta para encerrar o processo e permitir, ainda este mês, a abertura do concurso de adjudicação da obra, que a Dra. Isabel Pires de Lima, em insólita aplicação do "simplex", protelou, por razões burocráticas, durante todo o tempo em que foi ministra.
É um facto que a acção da Cinemateca foi extraordinariamente dificultada ao tempo em que a Dr.ª Isabel Pires de Lima foi ministra. É um facto que a escassez da oferta de cinema é enorme no Porto e é ainda maior em quase todo o País. Mas, a menos que se desista da "película antiga" (deliciosa expressão) e se passe a projectar em digital (a ex-ministra nunca daria pela diferença) nenhuma culpa cabe à Cinemateca, que terá muitos pontos fracos, mas não esses para que a ex-ministra, tão tarde e a tão más horas, pareceu acordar, a fim de sacudir a água do capote e arranjar, no "vitalício" director da Cinemateca Portuguesa - Museu do Cinema, o "bode expiatório" com que ajustar contas que não são deste rosário. Meta-se com gente do seu tamanho e haja respeitinho por quem não tem nem idade, nem percurso profissional, nem posição social para gastar mais cera com tão ruim defunta. Director da Cinemateca Portuguesa - Museu do Cinema

in Jornal "O Público" de 18.06.2008

Weronika conhece Véronique

Uma surpresa nas Festas de Torres Novas...

















Suzanne Vega

Jardim das Rosas
Torres Novas


8 de Julho

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Um inglês em Lisboa...

Cowboy Junkies "Misguided Angel"

Para quem acredita em anjos...

" "É inútil tocar canções de embalar para quem não consegue dormir"

John Cage (1912-1992)

O concerto de uma vida?














Em 07 de Junho de 1988 eu tinha dezassete anos apenas, era um puto. Nesse final de tarde de fim de Primavera dirigi-me para o Coliseu de Lisboa na baixa lisboeta, para assistir ao concerto de um cantor canadiano que tinha conhecido há pouco tempo, o seu nome era Leonard Cohen e vinha a Lisboa promover um disco chamado "I'm Your Man", esse cantor apresentava-se nos telediscos normalmente com um semblante soturno e cantava umas canções malancólicas que me seduziam sem eu saber bem porquê, o meu pai que já cá não está foi o grande culpado, tinha-me oferecido meses antes o "Various Positions" em vinil (pois ainda não se sabia o que era o formato CD na altura) tendo esse disco vindo a servir como motor de arranque para me atirar aos poucos e poucos ao "cancioneiro" do homem. As vezes anteriores que tinha estado no Coliseu tinham sido apenas para ir ao circo no natal quando era ainda mais puto, esta seria pois a primeira vez que ia a um concerto, poderia então ser melhor a estreia? Recordo-me de estar na rampa que dava acesso à entrada na altura para a bancada geral (entre a pastelaria "Solmar" e o próprio Coliseu) quando passado não muito tempo chegou o Cohen "himself" para fazer o "soundcheck" umas duas horas antes, vinha sozinho, vestido de negro como aparecia sempre nos telediscos e subiu essa mesma rampa pelos seus próprios pés, parando para espanto do meu espanto junto das dez ou quinze pessoas que já ali se iam juntando, soltou então um amistoso "Good evening friends" naquela voz de torvão para toda a gente e abeirou-se junto de cada um de nós cumprimentando-nos com um aperto de mão. O Leonard Cohen tinha acabado de me cumprimentar, a mim um puto de dezassete anos, fiquei claro com um enorme sorriso na cara de ponta a ponta, uma vez que, nessa altura o homem já era uma autêntica lenda viva, um daqueles cantores míticos com uma aura comparada a um Leo Férre ou a um Bob Dylan, recordo-me também de uma rapariga que estava na rampa , nos seus vinte e poucos anos, muito bonita, magra e com uns longos cabelos, ter sacado logo de uma "Kodak" e de não perder tempo nenhum em imortalizar aquele especial momento com a mesma. Depois quando as portas foram abertas, entramos ordeiramente e foi só esperar impacientemente que começasse aquele que foi para mim o melhor concerto a que assisti até hoje, escutar silenciosamente Dance Me To The End Of Love, Bird On A Wire, Suzanne, Chelsea Hotel, Take This Waltz, Hallelujah, The Partisan, Famous Blue Raincoat...sim Famous Blue Raincoat foi tocada no Coliseu (esta talvez a minha canção preferida de todas, ou a que fica talvez uns ligeiros milímetros acima de todas as outras) foi algo indiscrítivel e que guardei na minha memória até hoje...
Passados vinte anos dessa data longínqua, o "canadiano errante" vai voltar a Lisboa, dia 19 de Julho o Passeio Marítimo de Algês vai engalanar-se e recebe-lo, claro que para mim vai tornar-se "solo sagrado" e todas aquelas canções que escutei naquela noite de final de Primavera, bem como outras mais recentes mas não menos importantes vão voltar a ser escutadas por todos os que quiserem e estiverem preparados para tal, eu e outros "amigos", alguns vindos de paragens muito, mas muito longínquas fora da velha Europa, vamos lá estar unidos em devoção para as receber...


Its four in the morning, the end of december
Im writing you now just to see if youre better
New york is cold, but I like where Im living
Theres music on clinton street all through the evening.

I hear that youre building your little house deep in the desert
Youre living for nothing now, I hope youre keeping some kind of record.

Yes, and jane came by with a lock of your hair
She said that you gave it to her
That night that you planned to go clear
Did you ever go clear?

Ah, the last time we saw you you looked so much older
Your famous blue raincoat was torn at the shoulder
Youd been to the station to meet every train
And you came home without lili marlene

And you treated my woman to a flake of your life
And when she came back she was nobodys wife.

Well I see you there with the rose in your teeth
One more thin gypsy thief
Well I see janes awake --

She sends her regards.
And what can I tell you my brother, my killer
What can I possibly say?
I guess that I miss you, I guess I forgive you
Im glad you stood in my way.

If you ever come by here, for jane or for me
Your enemy is sleeping, and his woman is free.

Yes, and thanks, for the trouble you took from her eyes
I thought it was there for good so I never tried.

And jane came by with a lock of your hair
She said that you gave it to her
That night that you planned to go clear

-- sincerely, l. cohen